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Ventilação Mecânica na ELA (Pró-Cura da ELA)

Ventilação Mecânica na ELA

A ventilação mecânica domiciliar requer conhecimentos específicos que muitas vezes, diferenciam as estratégias da ventilação na terapia intensiva. Quando se fala em ventilação na ELA, o desafio é maior.

Os componentes mais acometidos são os músculos, principalmente torácicos e
abdominais, favorecendo o que chamamos de aumento na complacência dinâmica do tórax. Outro fator importante e a falta de drive muscular, ou seja, com a progressão da doença o respirador passa a assumir toda a função respiratória, por isso, é fundamental que o profissional entenda
qual é a estratégia ventilatória ideal para manter a ventilação, a oxigenação e o conforto respiratório.

Durante o uso da ventilação não invasiva, é possível manter todo o disparo respiratório sendo realizado pelo paciente, por isso, as modalidades respiratórias chamadas de pressão de suporte são bem indicadas (ET, ST, AVAPS). Estes modos ventilatórios favorecem o descanso muscular, auxiliam a geração de volume pulmonar e favorecem a ventilação.

Nas estratégias ventilatórias invasivas, ou seja, por meio de traqueostomias, existe a necessidade de modos assistidos controlados, que com o passar do tempo serão considerados controlados, uma que vez que a evolução da patologia favorece a abolição do drive muscular. Nestes casos, as modalidades ventilatórias de escolha devem ser: assistidas controladas a pressão (APC, PCV), que podem ser utilizadas em circuitos ativos ou passivos, ou modalidade assistida controladas a volume (AC, ACV), que somente funcionam, efetivamente nos circuitos ativos ou duplos.

Modalidades como ventilação mandatória intermitente sincronizada (SIMV), ventilação com pressão de suporte e volume de suporte (ST/SV), ventilação de controle de volume (VC), são modalidades CONTRA-INDICADAS para estratégias ventilatórias por meio de traqueostomias para pacientes de ELA.

O grande problema de utilizar estratégias ventilatórias invasivas é ocasionar padrões respiratórios anormais, o que significa dificuldade respiratória. Um dos maiores exemplos é a ventilação do tipo “gasping”, que pode ser manifestada como mastigação excessiva, movimento anormal da mandíbula ou Fasciculações abaixo do queixo. Outro modelo de respiração de esforço
e a descoordenação entre a respiração do tórax e do abdome (respiração paradoxal) ocasionada por ajustes de tempo inspiratório ou volume pulmonar muito baixo.

É preciso conhecer bastante estes cuidados ventilatórios relacionados ao modo
ventilatório, porém, a ventilação mecânica não é ajustada apenas por esta escolha, outros parâmetros devem ser observados como: tempo inspiratório, tempo de subida, rampas, etc...


O profissional fisioterapeuta é o mais indicado para a realização destes ajustes, mas É PRECISO CONHECIMENTO, para proporcionar a ventilação ideal para o paciente de ELA.

Alessandra Carneiro Dorça
Fisioterapeuta e diretora técnica da Associação Pró-Cura da ELA. (alessandra@ceafi.edu.br)

Bibliografia complementar


Magalhães CM. Análise da cinemática dos compartimentos da parede torácica nas posições
supino e sentada de pacientes com esclerose lateral amiotrófica [dissertação]. 2011
Andrews JA, Meng L, Kulke SF. Association Between Decline in Slow Vital Capacity and
Respiratory Insufficiency, Use of Assisted Ventilation, Tracheostomy, or Death in Patients With
Amyotrophic Lateral Sclerosis. JAMA Neurol. 2018:75(1):58–64

*paper escrito apenas como informação para a associação Pró-Cura da Ela, sendo destinado a profissionais, pacientes e cuidadores.


* não pode ser utilizado como referência acadêmica

ASSOCIAÇÃO PRÓ-CURA DA ELA

Associação Pró-Cura da ELA

Site: www.procuradaela.org.br E-mail: contato@procuradaela.org.br [2]
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