PSICOLOGIA E ELA

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Comentários

  • Olá Vânia;

    Além do desapego, tema bastante apropriado sugerido pelo Laerte, eu foco minha vida no que eu ainda posso. Se eu for lamentar tudo o que fazia e não faço mais o motivo é só para tristeza. Mas se estamos vivos temos sentidos e pessoas pelas quais nos fortalecemos para continuar a lutar . Viver o hoje de forma intensa sem pensar na piora do nosso quadro, que deverá ocorrer.

    Um abraço;

  • Querido Laerte,

    recados de boa noite para orkut

    Boa ideia!!!!!!!

    Vamos falar a respeito do desapego, sim!!!!

    Muito legal! Obrigada pela sugestão.

    Beijos e abraços,

    Vania

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ELE SE RECUSA A USAR A CADEIRA DE RODAS. E AGORA?
Vania de Castro
Psicóloga
CRP 06 15.110
É provável que você cuidador, familiar ou profissional já tenha passado por uma
situação assim. O paciente pode recusar-se a fazer uso da cadeira de rodas por vários
motivos, no entanto, ele deve ser ouvido nas suas dúvidas, incertezas, medos e
justificativas.
O momento certo de passar a usar a cadeira de rodas deve ser resultado de uma
decisão conjunta: paciente, familiares e profissionais. Evidentemente que, caberá ao
paciente tomar a decisão.
Profissionais, familiares e cuidadores querem, muitas vezes, proteger a pessoa
com esclerose lateral amiotrófica/doença do neurônio motor (ELA/DNM) e, por isso
oferecem a cadeira de rodas como uma solução, que na verdade é uma solução, porém
alguns pacientes necessitam de um tempo maior para conseguir aceitar fazer uso da
cadeira de rodas. Lembre-se: é muito importante conversar com a pessoa que usará a
cadeira, ouvi-la, compreendê-la nessa etapa de evolução da doença que a cadeira de
rodas representa. No entanto, expressar a importância para o cuidador, também, é
necessário. Não é algo fácil de propor e, por outro lado, também, não é fácil decidir
usá-la.
É interessante lembrar que usar a cadeira de rodas tem um significado
extremamente importante do ponto de vista psicológico. São mudanças necessárias cujo
principal motivo é o avanço da doença e a perda de funções que fizeram parte da vida
da pessoa desde quando começou a andar. Por isso, é imprescindível compreender a
resistência que a pessoa pode ter para decidir quando usar a cadeira de rodas.
Imagine-se na situação: você sempre andou com as suas pernas e pés. A sua
liberdade de ir e vir esteve preservada. Como será receber uma imposição de andar sob
quatro rodas e ser levado de lá para cá por um cuidador ou familiar? Não há outra
possibilidade. Pense e imagine-se na situação. O fato de não existir outra opção não
significa que será fácil e simples aceitá-la. Trata-se de olhar o mundo pela ótica da
pessoa que está perdendo a capacidade de ir e vir, por si, para compreendê-la na sua
essência.
Vejamos então psicologicamente como esta perda poderá ser sentida: você
nasceu, engatinhou, andou, correu e cresceu. Tornou-se adulto. Comprou um carro, ou
uma bicicleta ou uma moto. Movimenta-se com facilidade para todos os lados. Como
você sente-se ao saber que não andará mais com as próprias pernas? Que dependerá de
alguém para levá-lo onde quiser ir? Então, aceitar fazer uso da cadeira de rodas significa
conscientizar-se e aceitar a perda do ir e vir por si só. Aceitar a perda de algo que você
aprendeu, não esqueceu e até fazia sem pensar. Agora terá muito tempo para pensar o
que significa não andar e sofrerá as consequências dessa impossibilidade.
É necessário, portanto, compreender as razões implícitas no comportamento de
não aceitação da cadeira de rodas. Ouça o que o paciente tem a lhe dizer. Converse com
ele sobre o assunto. Ajude-o a refletir acerca dos possíveis benefícios, como por
exemplo, locomover-se com segurança e sem gasto de energia.
Por mais óbvio que possa parecer, a tomada de decisão sobre o uso da cadeira de
rodas, pode tornar-se um grande obstáculo na vida do paciente. Procure compreendê-lo,
respeitá-lo, colocar-se no lugar dele e ajudá-lo nessa etapa, porque o impacto emocional
provocado pela mudança é muito grande e o ser humano se conhece em movimento
desde o útero materno. Perder os movimentos e a força nas pernas e ter que usar a
cadeira de rodas para a sua locomoção, é quase um sacrilégio.
O cuidador principal e os familiares também sofrem muito nesta fase. Sofrem
pela resistência do paciente ao uso da cadeira de rodas, sofrem por ver as perdas
avolumando-se, sofrem por ver a pessoa com ELA/DNM diferente do que sempre foi,
sofrem por ver as quedas e a insistência para andar por si só.
O sofrimento resultante do processo de adoecimento é real para todos e gera
estresse, no entanto, é preciso desenvolver recursos de enfrentamento das situações que
se apresentam e até então eram desconhecidas.
No próximo texto trarei o conceito de empatia segundo a abordagem
desenvolvida pelo psicólogo americano, Carl Rogers(1902-1987), uma das abordagens
da psicologia que me identifico. Assim, acredito que facilitará a compreensão da
resistência no uso da cadeira de rodas e outras situações enfrentadas por pessoas com
ELA/DNM.
www.comunidadeelabrasil.ning.com

FALAR OU NÃO FALAR SOBRE A MORTE DE ENTES QUERIDOS

 Falar ou Não Falar Sobre a Morte de Entes Queridos 

Vania de Castro
Psicóloga, CRP 06 15.110

Lembro-me que quando trabalhava como psicóloga voluntária, no ambulatório de Investigação em Doenças Neuromusculares, da UNIFESP, muitos pacientes se queixavam e se assustavam no momento em que reencontravam outro paciente. Muitos familiares diziam, "não quero trazê-lo aqui porque ele ficará deprimido por ver outras pessoas com ELA em estado pior que o dele". Nas reuniões da AbrELA (Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica) também ouvi diversas vezes o mesmo comentário.


O fato de falar a respeito e outra pessoa escutar, abre espaço para a comunicação de assuntos difíceis, como por exemplo, a evolução da doença, as perdas, o sofrimento psíquico e o medo da morte.
Falar sobre os próprios dramas pode gerar sofrimento, mas pode, também, gerar possibilidades de reflexão, contato com o outro de maneira a produzir efeitos saudáveis.


Ao falar sobre a própria dor e ao escutar a dor do outro temos a oportunidade de refletir acerca dos nossos medos e temores.


Há períodos nos quais as pessoas não querem ouvir ou falar a respeito da morte, pois isto as remete ao ente querido que sofre ou que morreu. Devemos respeitá-las no seu sentimento. O fato de a pessoa expressar que não quer tocar no assunto, ou que se incomoda profundamente quando está num grupo cujo assunto é morte, nos dá a oportunidade de fazer uma reflexão e perguntarmos a nós mesmos o que pensamos e sentimos a respeito dos comentários sobre as pessoas queridas que perdemos, porque a ELA as tirou da nossa convivência e dos nossos cuidados.


A educação que recebemos nos coloca em situações complexas, uma vez que, dor, tristeza, sofrimento psíquico, perdas, morte e luto são assuntos pouco conversados e comumente evitados. É como se fossemos impelidos a não pensar porque é similar ao fracasso.


A nossa sociedade é imediatista, busca a todo custo o ter, a perfeição, a juventude e parece que doença, morte e sofrimento são sinônimos de algo que deu errado.


Morte é um assunto tabu, por isto é vivida como tragédia e desvendada
aos poucos. Mas vemos na literatura e comprovamos no cotidiano profissional, que o falar e o ser ouvido a respeito da dor, do sofrimento e da morte produz efeito saudável nas pessoas. Assim, quando a pessoa escreve ou fala sobre os sentimentos dela, relacionados ao ente querido que morreu, ela está vivendo o luto. E só vive o luto quem conseguiu se vincular ao outro.


As formas de enfrentar a morte e viver o luto são particulares e sofrem
influências da cultura, da história, da religião, da ciência, entre outros.
É muito difícil conviver com a ausência da pessoa que amamos. Por
isso, falar sobre a perda e ser acolhido nessa dor, é um gesto que produz
benefícios. Ao falar, ao chorar, ao expressar os sentimentos e emoções
decorrentes da perda de alguém amado, ressignificamos dentro de nós a
existência da pessoa que se foi e criamos novos sentidos para a nossa vida.
Então, expressar o sentimento é saudável mesmo quando o ponto central é o luto e o pesar. Apressar ou negar a vivência do processo de luto pode sim trazer danos à pessoa.


Sejamos solidários com a dor do outro, porque ela pode ser diferente da
nossa, mas é dor e precisa ser respeitada.