Os anjos chamados Cuidadores! Parte II

Cuidadores de pacientes com ELA contam a recompensa do seu trabalho e relatam momentos emocionantes
28/03/2011

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Um dos motivos para os familiares escolherem ser o próprio cuidador é o medo por não acreditarem que outra pessoa teria a devida atenção e dedicação ou até mesmo não acharem alguém com perfil adequado. O segundo fator é o problema financeiro. Como o tratamento de ELA é muito caro, muitas vezes os familiares não tem condição de mais uma despesa, assim, tomam a difícil decisão de largar sua vida para dedicar-se a do familiar. Para Giana Claudia, o mais difícil é deixar a área profissional de lado. “Embora muitas pessoas possam ver isso como um descanso remunerado, eu me sinto desatualizada com os acontecimentos, para trás mesmo nas minhas realizações profissionais. Na verdade, eu acho que é a parte mais importante na vida de uma pessoa que fica para trás, o modo como ela resolveu ser útil à sociedade”.

Esse é um dos tantos outros problemas que os pacientes de ELA enfrentam e que, para serem resolvidos, é preciso atenção do governo para criar novas leis. Giana Claudia ressalta a importância de uma lei que garanta o afastamento do trabalho do cuidador. No Rio de Janeiro esse afastamento é aceito, porém o período máximo é de apenas dois anos, após esse tempo o cuidador perde a sua matrícula e todos os direitos adquiridos até o momento que trabalhou “Eu já tenho quase um ano, e pretendo cuidar de minha mãe tão bem que a faça sobreviver por muito tempo. Felizmente fiquei doente e tenho conseguido uma licença para cuidar da minha doença, mas e depois? O que vou fazer?” relata assustada.

Mas apesar de tanta dor e sofrimento ainda é possível ter boas experiências, “Aprendi que nada é por acaso. A gente percebe que tem muito que aprender ainda, adquirir conhecimentos, tanto que hoje, devido a isso quero muito fazer um curso na Faculdade de Enfermagem”, diz Geraldo Ramos cuidador formal do paciente Sergio Volpine de Oliveira, 48 anos, diagnósticado em maio de 2008. Já para Giana Claudia, o aprendizado vai além de aprender todos os processos do tratamento, como a alimentação por sonda, aspiração traqueal etc, pois a paciência e a valorização da saúde como um bem maior são

seus maiores aprendizados.

A recompensa realizada com esse trabalho é sem duvida o maior bem que esses cuidadores levam. Não se trata apenas de remuneração ou mais um avanço das pequisas para a cura, mas sim, de pequenos atos. “Vê-la sorrindo no Natal para o meu sobrinho recém-nascido foi o momento mais gratificante” relata Giana Claudia. Até mesmo um afeto o qual será marcado para uma vida toda “somos amigos mesmo, uma ajuda o outro. Sempre que necessita o acompanho nas festas, vamos à igreja, estamos sempre juntos. Em nosso caso já nos tornamos uma família. Não tenho coragem de deixá-lo”, relata Geraldo Ramos.

Não há duvidas que se dedicar totalmente a vida de uma terceira pessoa seja um trabalho de um anjo, muitas vezes esquecido diante do tamanho do problema causado pela doença ou, até mesmo, pelas incansáveis buscas pela cura. Mas que não inibem o tamanho do brilho adquirido pelo trabalho e pela gratidão de todos aqueles que reconhecem a eterna luta contra a ELA.

Mais informações na Abrela podem ser conseguidas através do (11) 5579-2668.
FONTE: http://www.todosporela.org.br/noticia/0s-anjos-chamados-cuidadores-parte.html

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