Os anjos chamados Cuidadores! - Parte I

Cuidadores de pacientes com ELA contam experiências e dificuldades do seu trabalho
24/03/2011

 

3560418335?profile=original Além de equipamentos, tratamentos e acompanhamento médico, é indispensável à presença de um cuidador para o paciente de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Isso porque a ELA afeta todos os neurônios motores, os quais são responsáveis pela transmissão de impulsos nervosos que possibilitam os músculos executarem movimentos voluntários, causando com o tempo, uma progressiva fraqueza e atrofia muscular, tornando dessa forma o paciente completamente dependente de uma terceira pessoa, quem o ajudará desde a alimentação, vestimenta e locomoção até higiene pessoal.

Esses “doadores de vidas”, definido assim pelo cuidador Geraldo Ramos da Silva, são identificados em dois tipos: o informal; aquele que presta cuidados ao paciente tendo ou não um vínculo familiar, porém não há uma remuneração; e o formal, aquele que tem uma capacidade e estudos para tais atividades com uma devida remuneração. Mas, independente das categorias, ambos precisam ter dedicação, paciência e muita atenção com o paciente, até porque se tornarão, com o tempo, os próprios braços,

pernas e fala dos mesmos.

Mas além de zelar pelos pacientes os cuidadores também precisam ter uma preocupação consigo mesmo, pois sem os cuidados, poderão ter conseqüências negativas no seu estado emocional, atrapalhando - até mesmo - o tratamento do paciente. “A falta de cuidado e atenção dos cuidadores consigo, reverte em prejuízos quase imperceptíveis pelo próprio cuidador. É gerado pelo excesso de horas trabalhadas, baixa remuneração, sofrimento por compaixão e a perda do doente. Tudo isso prejudica seu estado emocional”, explica a psicóloga

Dra. Vânia de Castro Moreira.

O prejuízo emocional pode ser identificado por alguns sintomas, tais como cansaço, desânimo, tristeza, falta ou excesso de apetite, irritabilidade, insônia, agressividade, raiva, co-dependência psíquica, superproteção ou abandono do paciente. Para prevenir esses problemas Dra. Vânia indica a psicoterapia (que poderá ser individual ou grupal), a participação em grupos de apoio psicológico específicos para cuidadores de Esclerose Lateral Amiotrófica e também sites específicos da internet. Para esse tipo de especialização a ABRELA (Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica) realiza reuniões bimestrais que oferecem orientação

ou a própria Universidade Paulista de Medicina (Unifesp) pode auxiliar.

Tatiana Mesquita, presidente da ABRELA, também ressalta a importância de um acompanhamento para o cuidador. “É ele quem convive com o paciente, acompanha a evolução da doença e, muitas vezes, guarda este sentimento de tristeza para si”. E completa “é importante que o cuidador tenha atividades que façam bem para ele, como uma prática esportiva, curso, atividade cultural ou artística, para que ele continue tendo sua vida e momentos de relaxamento”.

Todos esses recursos são relevantes, no entanto existem casos que o cuidador precisa tomar remédios e ter um acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, como o caso da cuidadora informal Giana Claudia de Castro Araujo, diagnosticada com depressão reativa, em consequência dos cuidados que tem com a sua mãe, Maísa Freire de Castro Araujo, desde 2008. “A rotina de 24h por dia sem revezamento me deixou estressada fisicamente, e, com o tempo, psicologicamente. Foi preciso muita coragem para me afastar da minha mãe e retomar algumas atividades como cantar e fazer exercícios físicos”, conta.

As dificuldades para enfrentar a doença não são somente dos pacientes, mas também dos familiares, principalmente aqueles que se tornam um cuidador informal. O fato de lidar com um ente querido da sua família e não ter os devidos preparos de um profissional, acaba tornando todas as etapas um grande desafio. “Após a cirurgia da traqueo minha mãe me pedia quase que diariamente para desligar os aparelhos e deixá-la morrer. Pedia aos profissionais. Chorava muito, todos os dias, dia e noite. É muito difícil ver sua mãe adorada neste estado e decidir por ela que não vai desligar nada”, relembra Giana Claudia, um dos momentos mais difíceis.


FONTE: http://www.todosporela.org.br/noticia/0s-anjos-chamados-cuidadores-.html

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